pra quem tem pensamento forte, o impossível é só questão de opinião! ♪

3 de novembro de 2010

como cutucar a ferida vai diminuir a minha dor?


É fácil fazer um balancete e constatar que você também fez merda, é mais fácil ainda dizer “eu vou mudar”, mas mudar de fato, não é tão fácil assim. Existem coisas, digo, feridas mais profundas que certa vez doeram tanto que acabaram criando um tipo de memória por erros, quer dizer, sabendo o quanto vai doer tocá-la novamente, você prefere fingir que tudo melhorou e segue em frente. Vez em quando pensa nela, acha que a vida vai ser melhor se tratá-la de uma vez, mas daí lembra-se da dor e bom, é melhor deixar assim. Algumas mudanças vão além de um corte de cabelo ou uma nova tatuagem, algumas mudanças vão além de ser mais paciente e saber ouvir, algumas mudanças tem a ver com olhar-se no espelho e finalmente dizer “meu Deus, como eu sou linda”, para que então você possa enfrentar o mundo ciente de que todas as pessoas são bonitas, inclusive você, para que finalmente você possa olhá-las de frente e amá-las sem se desculpar por isso. Algumas mudanças tratam-se, de insegurança, aquela que você cultiva desde os cinco anos de idade quando riram da sua cara por que você pediu para ir fazer xixi, ao invés de dizer “eu quero usar o banheiro”, aquela insegurança que não lhe permite pensar em voz em alta, olhar nos olhos e amar de corpo de alma. Então ao saber de tudo isso o que você faz? Nada. Você se sente com oito anos de novo, tentando entender pra que diabos servem o mundo e esse coração que acelera toda vez que aquele menino bonito passa no corredor. Enquanto isso as pessoas que te conhecem repetem o mantra: “Faz alguma coisa, você não tem mais oito anos!” Pois é não tenho. Não tenho e o quero como nunca quis ninguém, mas quero também poder olhar em seus olhos e dizer: “Eu te quero” e não culpá-lo caso ele não me queria de volta. Não ME culpar caso ele não me queira de volta. Eu quero dizer em voz alta todos os meus pensamentos e não sentir o corpo queimando como quem comete uma terrível travessura. Quero falar o que penso com a certeza de quem viveu cem anos. Mas primeiro eu quero entender como cutucar a ferida vai diminuir a minha dor. Por que temos uma boca só? Cansei de ver gente reclamando da espinha que saiu na testa e outros que se ofendem com tamanha facilidade ao ponto de vomitarem palavras sem conseqüência nenhuma. É chegada a hora em que nem promessas e nem o termo ‘desculpa’ serão válidos. Quando o cansaço toma conta, nunca queremos saber de nada. Já não importa se tem prova amanhã, se ele não ligou e se o castigo dura um mês. Pra quem está de fora, parece que você nunca faz o suficiente. Mas, sempre nos falaram que a vida não é um mar de rosas, não é? Não caia na rotina, mesmo que para isso tenha que bolar algo com suas paredes e seus pincéis. Brigar não alivia a tensão. Esperar pela Paz Universal muito menos. É por isso que o meu conselho breve da semana é que abram a passagem dos seus ouvidos e dêem passe livre àquelas reclamações de quem acha que você não vai conseguir mudar o mundo. Tire o nó da garganta e feche os olhos. Sonhos, até quando acordados, são o melhor remédio. Afinal, quando queremos mudar alguma coisa, que comecemos por nós!

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